sexta-feira, agosto 20, 2010

Primeira parte

Estava realmente confortável naquele sofá, e fazia tempo que ela procurava o confortável, fazia o estilo dela...
Enquanto ela comentava sobre a falta de opção na televisão paga, ele continuava mexendo nos cabelos dela, e depois sentiu vontade de sentir aquele cheiro de novo...
Ela sentia a pele áspera da mandíbula dele na base do pescoço e ficava com arrepios, cada vez mais complicado conseguir formas as sentenças, no meio de um "porcaria" que se tornou um "hmmmmmmm"... Ela sempre sorria quando ele fazia aquilo, era bom demais...
Então ele começou a beijar-lhe o pescoço, o simples contato da base das costas dela no peito dele no sofá fazia sentir arrepios, uma descarga elétrica entre eles, e ele não conseguia pensar em nada muito além deles dois, a vida simples dele, com problemas comuns e o medo constante da pessoa que ele achava ser linda demais deixar ele, ou coisa pior, e ela dos incontáveis problemas sérios dela, que se ele descobrisse alguns poderia começar a vê-la com outros olhos, olhos tristes...
Então ele delicadamente tirou os cabelos dela do ombro, para chegar à nuca dela, distribuindo beijos e indo até os lóbulos da orelha dela...
-Hmmmm... Tá, a tv tá chata mesmo né? Vou desligar...-Ela
-Não tava prestando atenção na tv há muito tempo. Mas queria que você prestasse atenção em mim no momento...-Ele
-S-i-i-i-i-i-m-m-m s-s-s-s-s-s-s-e-n-n-n-n-n-n-h-o-r!
(Risadas dele)
-Interessante ver você assim...
-É-é-é-é-é-é?
-Muito. Extremamente interessante...-Disse ele com uma voz rouca enquanto pegava o controle remoto e desligava a televisão.
Então ela se virou e antes que ele pudesse perceber ela estava beijando ele... Aqueles lábios que ele tanto gostava, os braços dela no pescoço dele, e ele inconscientemente segurou a cintura dela com força, o suficiente pra provocar alguns machucados, mas ela não reclamou, então ele começou a puxar ela pra mais perto, parecia que ele queria que os corpos dos dois se fundissem no abraço, então ele delicadamente subiu os braços pelas costas dela, por dentro da blusa, abrindo o fecho do sutiã dela.
Ela ficou meio assustada, porque o relacionamento deles nunca tinha chegado a esse ponto... E pra ela que nunca tinha feito isso com ninguém era meio amedrontador pra ela... Então ele percebeu que ela estava desconfortável e olhou nos olhos dela.
-Desculpa, é que eu fui pego pelo momento... Não queria que você...
(Silêncio)
-Você está bem? Quer ir embora?
-Não, só que eu... Eu nunca... Você sabe disso...
Ele sempre achava lindo isso dela, o jeito meigo apesar...
-Eu sei, desculpa se te assustei...-Dizia enquanto a beijava pelo pescoço-Prometo que não faço mais...
-Não é isso, é que...
-É que o quê?
-É que eu também "fui pega pelo momento", na verdade eu ainda estou no momento...
E ele pego de surpresa pelas palavras dela e pelos beijos dela que se seguiram. Enquanto ele entendia o que estava acontecendo ela começava a tirar a blusa dele...


- Continua -

terça-feira, agosto 10, 2010

Apaixonar-se

O cheiro de queijo e orégano envolvia o ar, e a fumaça brincava em linhas acima da pizza, enquanto ela queimava as pontas dos dedos porque não podia esperar alguns segundos para a comida esfriar, nem era do tipo que come pizza de talher.
O que impressionou ele foi o modo como ela se portava, que era uma contante nela, a novidade nela que era uma constante... O paradoxo nisso, uma constante na personalidade dela era a inconstância no ponto de vista dele.
Ele nunca tinha ficado tanto tempo com alguém de forma tão simples, claro que ele já teve namoradas firmes, mas todas ele, depois de poucos meses, se irritava e enjoava delas. O problema era ela, aquela garota ali do lado, ela conseguiu fazer cada dia juntos sempre diferente, e o irritava mortalmente porque ele sabia que estava se envolvendo demais, mas não podia evitar... O jeito como ela comia, como um garoto, e o sorriso meigo dela, que parecia o de uma criança, quando repuxava os olhos e levantava o queixo, suas longas unhas pintadas de vermelho, contrastando com a personalidade infantil e expansiva dela, seu perfume de flores silvestres e o jeito que ela parecia sempre pronta a cair ou tropeçar em alguma coisa apesar de sempre querer parecer segura de si, inclusive o jeito impaciente que parecia ser algo inerente à sua personalidade...
Ele estava perdido num mar, onde cada gota d'água era ela, a água que ele sorvia desesperadamente e apaixonadamente...
Estava se apaixonando perdidamente.

domingo, agosto 08, 2010

Corações irmãos

O vento batia gélido nas costas deles, era um momento tenso para os dois, na verdade todos os momentos entre os dois eram tensos...
Ela tentou lembrar de como eles chegaram naquele ponto, naquela intimidade plena apesar do espaço que os dois sempre tentavam manter entre eles. Era difícil, muitas vezes impossível, apesar de que eles gostavam de se tocar sempre, por vários motivos. O que ninguém conseguia entender era como aquilo continuava sendo algo tão puro apesar de tudo, os sentimentos de um pelo outro eram simples: amizade, carinho, alegria, companheirismo...
E apesar disso eram tão diferentes, ninguém achava que algum dia aconteceria algo, mas eles sempre andavam pela corda bamba. O jeito que ele sorria a deixava alegre e sorridente, o jeito que ela brincava com as coisas mais simples e o jeito carinhoso que ela o abraçava o fazia ter pensamentos impróprios pra um amigo em quem ela tanto confiava, e naquele momento, como em alguns outros eles pensavam a mesma coisa. Mas um beijo tudo, tiraria a beleza do momento, o amor entre eles, e todo um futuro dos dois, aquilo não duraria e apesar do óbvio, um beijo apenas mataria o sentimento mútuo.
Então ela fez o que sempre fazia, pulou nos braços dele e abraçou bem forte, deu muitos beijos no rosto dele, pra demonstrar o que ambos sabiam... Tudo estava mais que perfeito e eles seriam amigos para sempre, e eles sempre teriam aquele futuro do pretérito pra se lembrar, porque afinal, eles sempre seriam uma dupla...
O cabelo dela ainda balançava no vento, fazendo a garota parecer um ser de outro mundo, como sempre parecia pra ele, e a luz dos postes brilhava nos olhos dele e fazendo sombra nela, aquela aura de paz se formando ao redor dele que sempre fazia ela sorrir, porque afinal, eles se amavam e sempre iriam se amar, porque no fundo, apesar de serem completamente diferentes pra todo mundo, eles eram a mesma pessoa...