domingo, novembro 04, 2012

Amiga do vento

Estou numa fase tão complicada.
às vezes bate aquela solidão doida, e sinto como se o mundo fosse me sufocar... A vontade é de colocar o que não importa numa mala e sair por aí, sozinha...
Mas o que importa ficaria aqui, e eu choraria tanto, por tantos dias que dói só de pensar.
Talvez seja culpa do vento, que sempre foi meu amigo, mas de tanto que passei tempo com ele, ele encheu meu coração da poeira que ele carrega, e agora tem um montinho negro dentro de mim...
Queria poder limpar meu interior... Fazer uma faxina e trocar de lágrimas, estocar mais sorrisos verdadeiros e me desapegar das agulhas sentimentais que vão não vão caem das caixas antigas de lembranças só pra espetar meu coração.
E a poeira cobre as caixas, mas não desaparece com elas, só as marca contra as paredes brancas do meu futuro.
Ou seriam paredes verdes?
Eu só queria dançar um pouco, amar um pouco, sorrir um tanto e desapegar de tudo que não é bom...
Também queria que o que não é bom não brincasse de brincar comigo, porque já o disse uma vez e digo outra: Nunca te chamei, nunca te ouvi...
Então como restos de borracha que insistem em povoar uma página branca limpinha, fico eu a espantar todo o mal, toda a tristeza, tudo de ruim.
Sei que nunca ficará branco, pois eu estou sempre a escrever, errar e assim apagar com força. Sou assim, apago com força pra não deixar nem as marcas, por isso é tanto farelo de borracha.
Mas o lado bom? É que de tanto re-escrever por esse meu costume de apagar muito, já fiz muitas pontas, e estou cheia de pedaços de lápis.
E com ele faço o quadro da minha vida. Do que eu fiz pra escrever, que pra mim é sempre maravilhoso. Porque eu não me arrependo do que fiz, só me arrependo do que aconteceu.
Na verdade, nem isso. Não há arrependimento afinal. Só meu sorriso banhado à lágrimas.
E o amor que eu sinto pelo vento, meu amigo que insiste em bagunçar meus cabelos.
Porque eu sou dessas, dessas que é feliz e nunca tem o cabelo arrumado. Sou dessas que o vento desarranja sempre, sou dessas que vive as luzes, a vida e as cores, mesmo as calmas.
Sou dessas que ama. E que quando ama...
Mas a fase complicada, que no fundo talvez não seja uma fase, é complicada.
Queria poder juntar todo o amor que tenho por todos num pote, e sorver ele a poucos goles sempre, numa infusão contínua de vida, isso tiraria toda a tristeza...
Ou talvez eu só não saiba lidar com tristeza.

quinta-feira, maio 17, 2012

J

Eu te amo.
Vou te amar pra sempre, como eu prometi.
Mas não posso mais deixar que seu amor por mim estrague seus dias.
Você vai ser mais feliz sem mim, eu sei.
Vou me arrepender diariamente disso que fiz hoje, mas a cada sorriso seu tudo vai ficar perfeito de novo.
Eu te amo, eu te amo, eu te amo...
Me dou o direito de dizer isso aqui, mas nunca a você, porque eu te conheço...
Eu te amo demais!
E é por isso que estou te deixando partir.

quarta-feira, abril 11, 2012

Dor

Meu peito se enche de soluços não sofregados, meus olhos se enchem do vazio que eu coloco, pra evitar que as lágrimas caiam. Muitas, quentes, amargas, doídas.
Às vezes esse vazio se solta, e os soluços se libertam, quando eu não consigo colocar tudo dentro de mim.
Tem algo de muito horrível pra mim viver na rotina. Não nasci pra isso.
Eu sou um cavalo livre nas pradarias, e cada dia disso está me matando.
Eu não consigo entender como pessoas que nem sabem quem sou têm tanta raiva de mim... Eu nunca fiz nada a elas.
Eu não sei quanto vou aguentar, se vou aguentar...
Espero que esse não seja meu adeus. Se for, será demasiado patético. Eu sempre fui a triste dramática, em contrapartida ao meu desprezo corriqueiro pelo drama.
Meu eu comum odiaria essa despedida com drama. Faria algo mais simples, que nem soasse como uma despedida, como um sorriso alegre, o que eu sempre uso como máscara. Diariamente.
Eis que eu percebo que às vezes sua alma é esmagada por coisas que você não pode nem deve evitar. Minha alma... Minha alma que sempre foi meu orgulho...